Dedico este meu poema a um "valoroso pescador" do rio Douro em Lordelo do Ouro, com o propósito de muito à minha maneira lhe mostrar a admiração que sinto por ele. Homem determinado, destemido e corajoso; desde tenra idade vive apaixonado por este pequeno recanto ribeirinho, nas fainas árduas, muito pesadas e arriscadas deste tão famoso rio, cheio de contradições e riscos permanentes.
De seu nome "Matos", mais conhecido por Manuel Luís, sabedor de artes de pesca artesanal, poucos serão aqueles que se podem vangloriar de estarem à sua altura, transmitindo aos seus filhos os seus valores e conhecimentos. É um lutador pelo amor à arte, um apaixonado por este lindíssimo e amado rio, que ao longo da sua vida tem dado tudo para que tal arte não se perca ao longo dos tempos, seguindo as tradições dos seu antepassados. É um homem que transpõe barreiras, digo eu barreiras; pelo simples facto de neste momento o seu estado de saúde estar mais fragilizado e mesmo assim não pára com a sua actividade.Também admiro a sua memória. Pois, lembra-se de muitas e longas histórias, peripécias divertidas e outras menos divertidas.
Eu chamo-lhe sábio. Dentro da sua área é um autêntico furacão de sabedoria. Sabe se o rio está ou não favorável à captura de peixe, sabe ler no horizonte o estado do tempo que se irá fazer sentir no dia seguinte. Há uma frase dele que não me canso de a repetir e que é muito simples: "astros vermelheiros, ou grandes ventos ou grandes chuveiros". Ensinou-me a ler na linha do horizonte as previsões meteorológicas do dia seguinte; não falha.
Falar deste "Homem" é falar de alguém muito simples, com capacidades humanas cheias de valores pouco comuns.
Meu rio, minha paixão
Orgulho-me de ser quem sou
velho pescador deste rio
daqui não sei para onde vou
de há tantos anos a fio.
Este rio é o meu lar
a casa onde ganho meu pão
nasci e vivo para o amar
até à última exaustão.
Batem as tuas ondas ao de leve
no barco das minhas ambições
tenho no peito a febre
de seguir tão dignas tradições.
Levanto-me ao raiar da aurora
para na faina lutar
num instante e sem demora
cá estou eu a trabalhar.
Já contei tempestades e tormentos
a conta já muito a perdi
foram tantos os acontecimentos
foi para isto que eu nasci.
De sol a sol valente e destemido
neste rio que me viu nascer
se nele não ficar perdido
só o deixo quando morrer.
ArtCar
Aproveito neste meu poema, escrito com amor e dedicação, para manifestar a admiração que tenho por todos estes homens que lutam arduamente arriscando na faina, as suas próprias vidas.
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