Sábado, 22 de Janeiro de 2011

"Os mares estão mais pobres"

 

 

 

 "Os mares estão mais pobres"

 

Os mares estão a ficar cada vez mais pobres, os rios cada vez mais desprovidos de peixe e os pescadores sem as suas principais fontes de sustentabilidade.
Aonde, nós iremos chegar com todas estas contradições, que são tão prejudiciais para a vida humana, sobretudo para todos aqueles que vivem nas zonas ribeirinhas e o grosso dos seus sustentos são as dádivas generosas dos nossos rios e mares. Dirijo-me sobretudo às gentes ribeirinhas do rio Douro, mormente os que vivem na freguesia de Lordelo do Ouro. Pescadores sem condições mínimas para trabalhar; nem um cais, nem pranchas flutuantes para amarrarem as suas embarcações, nem água potável, nem electricidade, etc. etc. Lutam apenas entregues aos desígnios da sua sorte.
Uns regressam desulados do mar, outros chegam desanimados do rio.
Chegam todos sem vontade de voltar. Mais uma árdua faina gorada, mais uma noite sem dormir.
Partiram com a sua fé de que era hoje o dia da sua sorte!.. Hoje vai ser uma boa pescaria, planeiam eles na noite anterior... amanhã o mar vai estar um borreguinho e como tal vai correr como tudo nós planeamos.
É a fé e a esperança de poderem desafogar um pouco mais as suas vidas, poderem contribuir para mais uma embarcação nova e maior, comprarem aquilo que tanto desejam e que está nos seus planos há tanto tempo.
Mas de regresso, pouco ou nada trazem nas suas redes para seu sustento.
De pequenos barcos, embora alguns já com algumas tecnologias; tentam com persistência e esforço, por vezes sob humanos, alcançarem as suas pescarias tão desejadas.

De regresso, digo eu; lá vêm os meus amigos da faina. Abeiro-me deles e como sempre, eis as perguntas e respostas já gastas de tantas e tantas vezes serem usadas.
 - E então... como correu hoje a faina.
A resposta é simples e objectiva.
 - Não dá para a gasolina. Desabafam eles com tristeza.
No entanto, também fico triste. Pois, é um drama que toca a todos nós. Se cada um de nós contribuísse por pouco que fosse; um gesto amistoso, uma palavra solidária junto daqueles que têm mais poderes, enfim, talvez fosse tudo bem mais simples para a resolução do problema.

Falo sobretudo do oceano Atlântico, que é aquele que mais me toca, embora com outros propósitos e ambições por navegar nas suas águas, mas como pescador desportivo.
Em minha franca opinião,são os grandes barcos os causadores, não só portugueses, mas como também tantos outros estrangeiros.  Pescam desmesuradamente a grandes profundidades e não só, também em águas menos profundas e atonados.
Não há leis que os detenham, pagam os seus direitos, as suas licenças e até dão trabalho a alguns pescadores portugueses.
O certo!.. é que nas suas grandes pescarias não deixam as criações prosperarem. é tudo arrastado pelas poderosas redes de extensões anormais.
Tudo o que as redes trouxerem, tudo serve para atingirem os seus fins.
 O resultado é:  - os pescadores ribeirinhos, com as suas embarcações de estrutura muito mais pequena e que as suas licenças só dão para uma certa área em águas menos profundas; mais costeiras, estão limitados a capturar as espécies de peixes, ou algumas espécies de peixes que desovam junto à costa e nos estuários dos rios.
Pois em alto mar não chegam a crescer e sobreviver em quantidades suficientes para virem desovar junto da costa e estuários dos rios. O seu sustento (sublinho sustento dos pescadores ribeirinhos) têm os seus dias contados.
Associo-me ao seu grande sofrimento, sobretudo pelo árduo e pesado trabalho que os desgasta, arrebatando-lhes muitos anos de vida.

Mais uma vez, repito e sublinho as condições sob humanas em que labutam, por não terem uma simples prancha flutuante equipada de água e luz, ou única e simplesmente passadiços que lhes permitiriam aliviar parte do seu sofrimento.

Com um abraço cordial a todos os pescadores artesanais.
           
   ArtCar

publicado por Artur Cardoso às 18:38
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