Terça-feira, 15 de Março de 2011

"Pesca, a quanto obrigas"

 

 

Hoje precisamente, parei no tempo para fazer um teste à minha memória.

Imaginem que a minha memória falhava durante trinta e dois anos a contar de hoje, para trás.

Estávamos nós no ano de mil novecentos e setenta e nove, quando eu ainda andava nas andanças da pesca desportiva em rios interiores. Essencialmente à pesca das bogas, barbos, escalos e trutas.

Nesse tempo ainda se podia andar à vontade sem ninguém ser incomodado. Porém, ainda não havia "pescadores só de nome". Eram sim, pescadores exímios que sempre souberam respeitar a Natureza e os seus próprios companheiros.

Pois muito bem. Um dia de verão em Trás-os-Montes na minha terra natal, perto do rio Douro, resolvi eu e mais dois amigos de infância irmos fazer uma pescaria no dia seguinte. O combinado, era logo pela manhã às sete horas, encontrarmo-nos no pesqueiro.

Deitei-me muito cedo para não ir dormir de pé na pesca, pois, também havia o brio desportista. Como a noite estava muito quente e não conseguia dormir; o que estava eu a fazer dentro da cama? toca a levantar-me às três horas da manhã. Tomei o meu habitual pequeno almoço, caniço às costas e cana na mão. Lá vou eu até ao rio.

De carro, só podia ir até cerca de quinhentos metros da margem do rio. O resto do percurso desci-o a pé por uma vereda muito íngreme; um autêntico carreiro de cabras.

Seriam talvez quatro horas, por aí, subi para o cimo de um fraguedo de quatro metros de altura e comecei a pescar tranquilamente até os meus companheiros chegarem.

Os peixes eram tantos que imediatamente enchi o caniço de bogas e escalos.

Equipado com botas até à cintura, caniço às costas por não me poder sentar e cana na mão. Já estava farto de estar de pé.

No horizonte, começavam a despontar os primeiros raios de sol. Não sei por que cargas de água, sem uma viva alma de volta de mim, nada, nada bulia em meu redor. Estava única e simplesmente só.

Ouço no entanto o piar de uma ave de rapina (águia real), olho para o céu com a intenção de a observar e de repente: desequilibrei-me e caí no chão. O resultado foi; calças rasgadas, um joelho muito dorido e um ombro esfolado. O caniço com os peixes foi para a água e a cana para o chão.

Não perdi tempo e a coxear lá vou eu a subir a vereda até ao carro. Assim que me apanhei dentro do carro, fui direitinho para casa. Quando cheguei à porta, com o barulho do trabalhar do motor do carro, a minha mulher acordou e imediatamente, foi à janela.

Mas que azar o meu naquele dia, nem sequer me pude esconder. Fui para a casa de banho, a minha mulher tratou-me das feridas e logo em seguida meti-me na cama.

Na hora marcada por mim e meus companheiros, lá chegaram eles. Mas, debateram-se apenas com vestígios de quem ali esteve a pescar.

Viram a cana partida no chão e o caniço na água, logo reconheceram que eram coisas minhas.

Como é obvio, supuseram o pior. Não havia telecomunicações e o que pensaram? nada, ficaram sem saber o que tinha acontecido.

Nesse tempo não havia malfeitores, até porque toda a gente se conhecia.

Foram imediatamente a minha casa perguntar por mim e lá estava eu como um cristo deitado na cama.

Mas que história tão dramática!.. foi exatamente assim como a acabei de contar.

Há dias que não se pode sair de casa e esse foi um deles.

 

        ArtCar

 

publicado por Artur Cardoso às 02:57
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Segunda-feira, 14 de Março de 2011

"O sonho de uma criança"

                                               (Esta é a tricas)

 

            

 

       O sonho de uma criança

 

Depois de uma brincadeira pegada

cai a noite e vai dormir

na sua cabecinha imaginava

um sonho que bem alto se fez ouvir.

 

Nesse sonho entrava a tricas

sua companheira de predileção

a brincar entre gatos e gatas ariscas

havia um que era seu irmão.

 

A tricas com ele queria ir ter

puxava-a um grande afeto

alguma coisa lhe estava a dizer

no sonho do menino já desperto.

 

O menino chorava com paixão

por a tricas ser impedida por alguém

de ir ter com o seu irmão

e assim ....

O menino narrou o sonho à sua mãe.

  

        ArtCar

 

Dedico este meu poema, escrito com carinho a todos os meninos do mundo.

 

publicado por Artur Cardoso às 19:38
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Domingo, 13 de Março de 2011

"Lulas pequeninas estufadas"

                             (Lulinhas estufadas com arroz branco)

 

Hoje, para o almoço não sabia qual o prato que haveria de confecionar. 

Depois de rebuscar a minha arca frigorifica, encontrei uma embalagem de lulinhas lavadas e limpas. Foi só deixa-las descongelar naturalmente e passa-las por água limpa.

Aqui está uma refeição muito económica e de muito bom gosto.

Passei a cozinha-las e ora nem mais, estavam uma verdadeira delícia.

 

 

          Ingredientes:

 

- 1/2 kg de lulinhas pequenas embaladas

- 1 tomate maduro

- 1 cebola pequena

- 1 dente de alho

- 1 raminho de salsa

- azeite de boa qualidade

- 1 pitada de pimenta

- 1/2 copo de vinho tinto maduro

- sal q.b.

 

 

          Modo de preparar:

 

Num tacho, cobre-se o fundo com azeite, picam-se uma cebola pequena, um dente de alho, um tomate maduro e um raminho de salsa. Em seguida deitam-se as lulinhas, uma pitada de pimenta e sal a gosto.

Põe-se a cozinhar em lume brando e quando começar a levantar fervura, esperam-se dois ou três minutos e adiciona-se meio copo de vinho tinto maduro.

Deixa-se apurar e se necessário vai-se misturando um pouco de água fervente, para que se obtenha mais molho.

Num tacho à parte faz-se um arroz branco, solto e seco.

 

Recomendo para acompanhar, um bom vinho verde branco fresco.

Para sobremesa; fruta da época.

ArtCar

 

publicado por Artur Cardoso às 19:51
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Domingo, 6 de Março de 2011

"Ser Mulher"

       (A mulher é como um livro, quanto mais o leio mais eu gosto de o ler)

 

 

Em pleno século vinte e um (XXI) quantas mulheres ainda se sentem injustiçadas, maltratadas e submissas ao homem.

Cada vez mais, é preciso combater e ajudar a combater a incompreensão da fragilidade feminina.

Hoje, por direito e mérito das mulheres lutadoras; existe o seu próprio Dia: "Oito de Março" 

............. (Dia Internacional da Mulher) .............

 

             

               Ser mulher

 

Ser mulher é ....

resistir às suas fraquezas

é saber amar de verdade,

mulher é para além de menina

adulta e usar suas defesas

contra as injustiças e maldade.

 

         ............................

 

 

Ser mulher é saber dizer não

à crueldade e à força da injustiça

ser firme, crente e verdadeira,

não fazer sofrer o seu coração

também não ser tão submissa

e nos seus direitos, ser a primeira.

 

         ............................

 

 

Este dia marca uma data

das mulheres que outrora se levantaram

pelas condições de vida e sua moral,

ergue a tua voz e diz basta

é exemplo das que por ti lutaram

e luta também pelo teu ideal.

 

Poema de minha autoria, que dedico a todas as mulheres do mundo neste dia tão marcante para a mulher (oito de Março).

 

      ArtCar

 

 

publicado por Artur Cardoso às 22:51
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Sábado, 5 de Março de 2011

"Lampreia à bordalesa"

 

Estamos na época alta da lampreia.

É a rainha dominante dos nossos rios nesta altura do ano, por ser um peixe extremamente rápido nas suas capturas de outros peixes. É deles que se alimenta, sugando-lhes o seu sangue até à altura de ficar saciada, devido à sua forma de boca (ventosa) com centenas de dentes minúsculos.

Bem, seja lá como for; é também a rainha gastronómica dos apreciadores de tão famoso pitéu nesta época do ano.

Vindas do mar, a sua captura é nas bocas das barras e rios, subindo os mesmos para neles desovarem.

Como não podia deixar de ser e como apreciador que sou de tão delicioso manjar, hoje confecionei-a à bordalesa. Estava uma verdadeira delícia.

 

 

ingredientes:

 

- uma lampreia

- azeite

- 3 colheres de sopa de vinagre

- 3 dentes de alho picado

- um raminho de salsa migada

- 1 folha de loureiro

- 1 cálice de vinho do Porto

- 1 cálice de whisky

- 1 pitada de pimenta branca

- 1/2 litro de vinho maduro tinto

- 4 ou 5 folhas de hortelã migada

- 1 pitada de orégãos secos

- sal (q.b)

 

   Colocam-se todos estes ingredientes no recipiente aonde está a lampreia com o sangue e o vinho e deixa-se repousar de um dia para o outro. 

 

 

preparação:

 

Faz-se um estrugido de cebola e um dente de alho. Quando a cebola e o alho estiverem dourados côa-se e guarda-se o azeite num copo de alumínio. Coloca-se dentro do tacho tudo o que estiver no recipiente (preparado do dia anterior) acrescentando um copo de água e o azeite limpo do estrugido. Deixa-se levantar fervura e a partir daí contam-se quinze minutos. Vai-se verificando o molho.

Findos os quinze minutos, tira-se a lampreia e corta-se às postas, voltando a pô-la no tacho até acabar de cozer.

Numa travessa, dispõem-se pedaços de pão regional torrado ou tostas.

Por cima do pão, colocam-se as postas da lampreia. Rega-se por cima destas todo o molho.

À parte, faz-se um arroz branco.

 

Importante: (Esta iguaria deve-se acompanhar com a mesma qualidade de vinho da marinada). 

     ArtCar

publicado por Artur Cardoso às 19:44
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Quarta-feira, 2 de Março de 2011

"Arroz de polvo à ArtCar"

 

                                           Arroz de polvo à ArtCar

 

ingredientes:

 

1 polvo de 1kg (mais ou menos)

1 cebola doce pequena

1 dente de alho

1 tomate maduro

1 folha de loureiro

1 raminho de salsa

1 malagueta

1 pitada de colorau

azeite de boa qualidade

sal q.b.

água da cozedura do polvo

 

 

modo de preparação:

 

Num tacho, cobre-se o fundo com o azeite, migam-se a cebola e o alho muito bem, coloca-se uma folha de loureiro, um raminho de salsa e uma malagueta desfeita. Em seguida miga-se o tomate muito miúdo e deita-se uma pitada de colorau.

À parte, numa panela com água coze-se o polvo depois de amanhado e muito bem lavado, junta-se um dente de alho esmagado, meia folha de loureiro, uma pitada de pimenta, um fio de azeite e sal a gosto. Depois de bem cozido, coloca-se sobre a tábua e corta-se aos bocados.

Leva-se o tacho a lume médio e deixa-se refogar até a cebola começar a aloirar, deitam-se cinco (5) chávenas da água da cozedura e junta-se o polvo aos bocados.

Quando levantar fervura, juntam-se três (3) chávenas de arroz agulha. Antes do arroz abrir deve-se servir.

Sugiro ovos estrelados para acompanhar.

 

       ArtCar

 

publicado por Artur Cardoso às 20:27
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