“Pregões na minha rua”
Ao tempo que não oiço a velha sineta
da antiga capelinha da minha rua
e os pregões do cauteleiro a passar,
nem a varina de avental cor de violeta
nem a menina de saia curta e ingénua
nem tampouco a peixeira a apregoar.
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Deixei de ouvir o amola-tesouras
a camioneta ambulante do pão
as vizinhas animadas a conversar….
O homem das ratoeiras e das vassouras
calou-se para sempre o pregão
na minha rua a vozear.
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Acabaram os pregões na minha rua
tudo vai acabando, tudo tem um fim!
os hábitos vão-se mudando também,
até palavras românticas à luz da lua….
Sinto uma enorme saudade em mim
como tenho saudades da minha mãe.
ArtCar
(Poema de minha autoria dedicado muito carinhosamente ao pregões de antigamente).
“Onda calma do mar”
Vem de mansinho levemente a ondular,
como quem bate com leveza no peito
e juntinho a mim, penso querer-me falar!
anda meu barco perdido nela a baloiçar
navegando sossegado e bem a seu jeito
na onda suave, calma e tranquila do mar.
Do rio, partem barcos rumando ao mar!
porém, outros de lá vêm chegando,
carregados e devagar para atracar no cais….
É dura azáfama que tanto me faz pensar
sempre felizes dento dela navegando
à procura de dois límpidos cristais.
São fofo leito e cristalinos olhos da minha luz,
são porto de abrigo e serenidade da alma!
invade-me tal tristeza quando a não vejo….
Ao remansado ancoradouro que me conduz,
onda suave de tanta sensatez, firme e calma,
como formosa mulher que tanto desejo.
Meu mar eterno da onda calma e mansa,
encantada sereia; musa de meus prantos!
és eterna e verdadeira paixão para mim….
Teu canto na onda da minha esperança,
onda pelos desafios que por ti são tantos
és minha onda, calma, dum mar sem fim.
ArtCar
(Poema de minha autoria, dedicado ao mar e seus marinheiros, pescadores e navegadores).
Mar! onde um dia irei morrer….
Lá longe, navego ao por do sol
no grandioso mar imenso
de imensas e tantas ilusões,
procuro um abrigo ou um farol!
meu mar, só a ti te pertenço,
és o túmulo das minhas paixões.
Mar profundo do meu viver!
mar funesto da eternidade,
doce mar de grande desígnio….
Em ti, onde um dia irei morrer
quando chegar a hora da realidade
e por cá, não deixar qualquer vestígio.
És o forte desejo que me enleias
mar dos meus sonhos e pesadelos
precioso mar de minha ambição,
és funerária de lautas ceias
para mim és o sítio mais belo
e encantamento do meu coração.
Mar de paz, da eternidade e da calma!
mar de tanta agonia e tanta alegria,
são o sol e a lua, a essência do teu ser….
encanto incondicional de minha alma
poderoso e influente mar de magia
Mar, onde um dia! em ti, irei morrer.
ArtCar
(Poema de minha autoria dedicado ao mar).
“Mar dos meus segredos”
Dou voltas e mais voltas para adivinhar
dou tantas voltas e nada adivinho porém
quantos litros de água tem o mar
e quantos segredos também.
Um dia encontrei um velho sábio
falou-me dos medos e dos enredos
que leu num velho alfarrábio
tem tantos litros de água como segredos.
Ó mar misterioso de medos e enredos
Ó mar de marinheiros a navegar
ao mar contei todos os meus segredos
mas os litros de água não os sei contar.
Meu mar, ó meu mar eterno
de navegadores de Portugal
quando revolto és um inferno
e de litros de água és colossal.
ArtCar
(Poema de minha autoria dedicado ao mar).
É virtuosa e mulher!
É mulher livre como a gaivota do mar,
é como a fresca brisa que circula
e como água cristalina da fonte!
é inquietude que a todos faz sonhar,
é toda amor que nela perdura,
como loba faminta do monte.
É filha fecundada da madrugada
é como o encanto cintilante do sol,
também feiticeira lua do céu!
é mulher fiel e tão mal amada
que padece inerte sobre o lençol,
mas como firme pedra de mausoléu.
É tão frágil como o fino cristal!
que encanta os olhares da cobiça,
é mulher do desejo e do sofrer….
Bela mulher sensível e sensual,
seriamente castigada pela injustiça,
por ser uma virtuosa mulher.
ArtCar
(Poema de minha autoria dedicado com muito amor e carinho a todas as mulheres virtuosas, mas mal amadas).
“Tenho saudades de Trás-Os-Montes”
Sinto saudades e uma profunda tristeza
tenho imensas saudades de Trás-Os-Montes
de toda a minha infância que já passou,
lembro-me veemente de toda a natureza
de saltar, correr, beber água das fontes
e do tempo agradável que me deleitou.
Tudo passou vertiginosamente e a correr
como tudo passa veloz nas asas do tempo
tal como a água corrente e fresca das fontes,
sinto saudades dentro de mim, com sofrer
uma tristeza nostálgica de dor e sofrimento
sinto tanta falta da fresca brisa dos montes.
Vejo o meu tempo rapidamente de mim a fugir
como velozes torrentes de íngremes montanhas
e os meus inseguros momentos a passar,
já à muito tempo que espero aquilo há-de vir
tenho uma impressão no interior das entranhas
do toque atempado e quase funesto a chegar.
Hoje estou muito triste e até indolente
sinto saudades de ver Trás-Os-Montes
e da liberdade das aves felizes da serra,
Hoje! sinto-me insensível e descrente
de estar longe dos montes e das fontes
como quando era criança na minha terra.
Hoje! sinto-me melancólico e desanimado
deste abatimento causado pela saudade,
sinto uma profunda tristeza no coração….
Hoje sinto-me completamente preocupado
se calhar, talvez seja pela debilidade da idade
ou por uma profunda saudade de paixão.
É de minha condição esta grande tristeza!
é um manifesto dos meus tempos passados,
da minha infância em outros horizontes….
Nunca mais esqueço aquela tamanha beleza
da minha terra e dos meus sonhos dourados;
tenho imensas saudades de Trás-Os-Montes.
ArtCar
(Poema de minha autoria dedicado com profundo amor e carinho à minha terra natal (Freixo de Espada à Cinta) e a todo o Nordeste Transmontano (Trás-Os-Montes).
“Faço como faz o Sol”
Espero pelo sol toda a manhã,
por fim, nasce despreocupado!
fecha os olhos, abre os olhos, boceja….
Vem lá do cimo da montanha,
desce ainda estremunhado,
tão belo! Até causa inveja.
Quem me dera ser o sol,
para todas as manhãs a visitar
e a cintilar, acaricia-la sensual….
No bosque onde canta o rouxinol,
melódico, como que a convidar
a um longo passeio matinal.
Não me lembro, faz muito tempo!
que não me sinto tão bem,
talvez à mais duma eternidade….
Se não tiver nenhum contratempo,
faço como faz o sol e também!
visito-a com a mesma finalidade.
Despreocupado, estremunhado e sensual,
faço como faz o sol, vou-a visitar!
refugio-me nos braços dela
como se fosse um anjo divinal;
ou como o rouxinol a cantar,
entro logo de manhã, pela sua janela.
ArtCar
(Poema de minha autoria dedicado com muito amor e carinho; a Ela, ao Sol, ao Amor).
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