Chega tarde ao encontro marcado
ela sente-se como um frívolo objeto
solta um desabafo abafado
como que em protesto discreto.
Desespera com uma prenda na mão
de olhar melancólico e apagado
quase a arrebentar como bola de sabão
espera resoluta pelo namorado.
Sente uma tamanha tristeza
pela irresponsabilidade e ausência
como se tivesse sido enganada,
dá-lhe a sua prenda com sutiliza
desconsolada por tanta dolência
afasta-se dele determinada.
ArtCar (Artur Cardoso)
(Poema de minha autoria).
Amaina o vento, descomedido, agreste!
Clareia o cinzento do firmamento,
descerra a abóbada celeste
e as estrelas cintilam sem impedimento.
E a lua sobe, com pressa e precipitação!
Vai subindo no declive da sua sorte,
até desaparecer na escuridão
à procura do seu consorte.
O sol, radioso, está longe dela!
Muito para lá do seu alcance
e a lua, a soluçar pela sua estrela,
fica impedida do seu romance.
Coitada da Lua! Está descontente!
O sol não a quer ouvir,
anda estranho, renitente,
parece que anda dela a fugir.
Para tudo há uma estreia!
Também tudo tem um fim!
Tal como tudo na realidade (….)
Como o sol e a lua na sua odisseia,
a realidade é mesmo assim….
Só não tem princípio nem fim!
“O Amor e a Eternidade”.
ArtCar (Artur Cardoso)
(Poema de minha autoria).
Nasci entre os escombros da fatalidade
o meu pai é este maldito vício
a minha mãe as ruas da cidade
e eu, eu sou um pobre infeliz vadio.
Não tenho família nem um único amigo
toda a gente me repudia incomodada
sou simplesmente um sem-abrigo
que dorme abrigado no vão duma escada.
Maldita esta vida tão miserável
que algum carinho não me é negado
por quem é solidário e benigno,
graças à sua generosidade afável
sobrevivo pelas ruas maltratado
como tantos outros sem-abrigo.
ArtCar (Artur Cardoso)
(Poema de minha autoria).
Camélias brancas são beleza perfeita,
as vermelhas são reconhecimento!
Rosas brancas são pureza que deleita
as vermelhas, paixão e deslumbramento.
As Camélias e as Rosas são idênticas
duma tal beleza e tão delicadas
são lindas e autênticas
belas encantadas e perfumadas.
As Camélias são ternura
as Rosas a minha paixão
são como a tua doce candura
e o amor do teu coração.
Gosto de todas as Camélias
assim como gosto de todas as Rosas
umas Rusélias, outras Célias e Amélias,
e ainda outras, Graciosas e Bondosas.
ArtCar (Artur Cardoso)
(Poema de minha autoria).
Dá-me o prazer da tua companhia,
meu bem, meu sol luminoso!
Deixa-me contemplar a tua elegância,
és a minha luz, o meu bem mais precioso.
Vamos espairecer à beira mar!
Tomar um café, um chá, ou quiçá,
simplesmente sentados a conversar
antes que o sol se vá.
Vem daí, vamos passear
para um lugar aprazível e afastado
aonde este meu tédio me passará,
deixa-me por ti deslumbrar
abraçar-te e sentir-me abraçado
antes que o sol se vá.
ArtCar (Artur Cardoso)
(Poema de minha autoria).
Anda o medo por entre a escuridão
com passos lentos e aparentes
a respiração em suspensão
e um áspero bater de dentes.
É o mafarrico energúmeno
com as ossadas a ranger
saliva um tal veneno
para o que der e vier.
Anda à roda um diabrete
repolhudo e ledo
à espera de banquete
baila à volta do medo.
E o medo de tridente em riste
com os olhos em labareda
esse tal medo não existe
não tem chifres nem cauda.
Ter medo, é dos vivos!
tal como dos línguas-de-trapo,
esses, são venenosos impulsivos
quando incham como o sapo.
ArtCar (Artur Cardoso)
(Poema de minha autoria).
Escuto lá fora o pipilar duma gaivota
mesmo em frente à minha janela
está poisada no muro da horta
do outro lado da ruela.
Espreito e olha para mim de soslaio
meigamente chamo-a de menina
ao assomar-me quase que caio
mas ela, ela não me liga patavina.
Devagarinho saio da minha janela
vou à cozinha buscar um pão
mostro-lho só para que ela
me dê um pouquinho de atenção.
Dá uma ligeira olhadela
voa rapidamente e vem ter comigo
em frente à minha janela
abre as asas e toma-me como amigo.
ArtCar (Artur Cardoso)
(Poema de minha autoria).
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