Domingo, 1 de Março de 2015

A Prenda!

 

Chega tarde ao encontro marcado

ela sente-se como um frívolo objeto

solta um desabafo abafado

como que em protesto discreto.

 

Desespera com uma prenda na mão

de olhar melancólico e apagado

quase a arrebentar como bola de sabão

espera resoluta pelo namorado.

 

Sente uma tamanha tristeza

pela irresponsabilidade e ausência

como se tivesse sido enganada,

dá-lhe a sua prenda com sutiliza

desconsolada por tanta dolência

afasta-se dele determinada.

 

   ArtCar (Artur Cardoso)

 

(Poema de minha autoria).

publicado por Artur Cardoso às 19:34
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Amor e Eternidade!

 

Amaina o vento, descomedido, agreste!

Clareia o cinzento do firmamento,

descerra a abóbada celeste

e as estrelas cintilam sem impedimento.

 

E a lua sobe, com pressa e precipitação!

Vai subindo no declive da sua sorte,

até desaparecer na escuridão

à procura do seu consorte.

 

O sol, radioso, está longe dela!

Muito para lá do seu alcance

e a lua, a soluçar pela sua estrela,

fica impedida do seu romance.

 

Coitada da Lua! Está descontente!

O sol não a quer ouvir,

anda estranho, renitente,

parece que anda dela a fugir.

 

Para tudo há uma estreia!

Também tudo tem um fim!

Tal como tudo na realidade (….)

Como o sol e a lua na sua odisseia,

a realidade é mesmo assim….

Só não tem princípio nem fim!

“O Amor e a Eternidade”.

 

   ArtCar (Artur Cardoso)

 

(Poema de minha autoria).

publicado por Artur Cardoso às 19:30
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Testemunho dum sem-abrigo!

 

 

Nasci entre os escombros da fatalidade

o meu pai é este maldito vício

a minha mãe as ruas da cidade

e eu, eu sou um pobre infeliz vadio.

 

Não tenho família nem um único amigo

toda a gente me repudia incomodada

sou simplesmente um sem-abrigo

que dorme abrigado no vão duma escada.

 

Maldita esta vida tão miserável

que algum carinho não me é negado

por quem é solidário e benigno,

graças à sua generosidade afável

sobrevivo pelas ruas maltratado

como tantos outros sem-abrigo.

 

     ArtCar (Artur Cardoso)

 

(Poema de minha autoria).

publicado por Artur Cardoso às 19:26
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Camélias e Rosas!

 

Camélias brancas são beleza perfeita,

as vermelhas são reconhecimento!

Rosas brancas são pureza que deleita

as vermelhas, paixão e deslumbramento.

 

As Camélias e as Rosas são idênticas

duma tal beleza e tão delicadas

são lindas e autênticas

belas encantadas e perfumadas.

 

As Camélias são ternura

as Rosas a minha paixão

são como a tua doce candura

e o amor do teu coração.

 

Gosto de todas as Camélias

assim como gosto de todas as Rosas

umas Rusélias, outras Célias e Amélias,

e ainda outras, Graciosas e Bondosas.

 

     ArtCar (Artur Cardoso)

 

(Poema de minha autoria).

publicado por Artur Cardoso às 19:23
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Antes que o sol se vá!

 

Dá-me o prazer da tua companhia,

meu bem, meu sol luminoso!

Deixa-me contemplar a tua elegância,

és a minha luz, o meu bem mais precioso.

 

Vamos espairecer à beira mar!

Tomar um café, um chá, ou quiçá,

simplesmente sentados a conversar

antes que o sol se vá.

 

Vem daí, vamos passear

para um lugar aprazível e afastado

aonde este meu tédio me passará,

deixa-me por ti deslumbrar

abraçar-te e sentir-me abraçado

antes que o sol se vá.

 

   ArtCar (Artur Cardoso)

 

(Poema de minha autoria).

publicado por Artur Cardoso às 19:20
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O Medo!

 

 

Anda o medo por entre a escuridão

com passos lentos e aparentes

a respiração em suspensão

e um áspero bater de dentes.

 

É o mafarrico energúmeno

com as ossadas a ranger

saliva um tal veneno

para o que der e vier.

 

Anda à roda um diabrete

repolhudo e ledo

à espera de banquete

baila à volta do medo.

 

E o medo de tridente em riste

com os olhos em labareda

esse tal medo não existe

não tem chifres nem cauda.

 

Ter medo, é dos vivos!

tal como dos línguas-de-trapo,

esses, são venenosos impulsivos

quando incham como o sapo.

 

     ArtCar (Artur Cardoso)

 

(Poema de minha autoria).

publicado por Artur Cardoso às 19:17
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Em frente à minha janela!

 

 

Escuto lá fora o pipilar duma gaivota

mesmo em frente à minha janela

está poisada no muro da horta

do outro lado da ruela.

 

Espreito e olha para mim de soslaio

meigamente chamo-a de menina

ao assomar-me quase que caio

mas ela, ela não me liga patavina.

 

Devagarinho saio da minha janela

vou à cozinha buscar um pão

mostro-lho só para que ela

me dê um pouquinho de atenção.

 

Dá uma ligeira olhadela

voa rapidamente e vem ter comigo

em frente à minha janela

abre as asas e toma-me como amigo.

 

     ArtCar (Artur Cardoso)

 

(Poema de minha autoria).

publicado por Artur Cardoso às 16:23
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