Terça-feira, 16 de Novembro de 2010

Mais um ponto para aumentar o conto

 

Esta é uma história muito divertida e verdadeira que fez sucesso entre os pescadores desportivos, já a alguns anos atrás. Foi passada na foz do rio Douro (palmeiras), no ano de 1994. O pescador como tem fama de aldrabão, ainda se torna mais divertida pelo facto de ser muito verdadeira.  A afirmação desta história foi contada no acto da captura desta enguia.

"Um conto nunca está completo, sem aumentar mais um ponto".

 

Como já referi. O pescador tem fama de aldrabão. Verdade seja dita; da fama não se livra.

Eu, porém, direi que neste caso é um aldrabão verdadeiro. E porquê? passo a explicar o meu ponto de vista. Como constantemente à sua volta se geram as mais diabólicas mentiras, o pobre pescador tem que passar a acreditar, sobretudo naquelas que se contam repetitivamente e nas mais variadíssimas versões.

Então, hora aí está: alimenta a peta com toda a sua convicção.

Esta história, de enredo franco, torna-se numa aldrabice a todo o tamanho. Famosa no ceio do grupo de pescadores aonde eu também estava inserido, não poderia deixar de a contar.

Foi passada em pleno verão, talvêz no ano de mil novecentos e noventa e quatro, isto é; se a minha memória não me atraiçoa. Como era habitual, depois das horas de trabalho, ao fim da tarde, juntávamo-nos todos os amigos para mais uma sessão de pesca à mistura do nosso alegre convívio. Estava uma tarde quente, mas já um pouco avançada pelas horas e a sombra já nos convidava a sentarmo-nos debaixo da copa das palmeiras.

Eu, mais o meu querido amigo João Paulo, fomos os primeiros a marcar presença. Montamos os tripés, canas e todo o material necessário. Fizemos os primeiros lançamentos, puxámos das nossas cadeiras e sentamo-nos comodamente. Estando numa agradável conversa, eis que a minha cana dá sinal de peixe. Levantei-me calmamente, corriquei também com toda a calma como é meu hábito e surge uma enguia de dimensões e peso consideráveis.(Por volta de um quilo ou talvez um pouco mais). Com a ajuda do meu amigo, metia dentro dum saco.

Entre nós os dois, existe uma sólida amizade, sempre nutrimos uma grande admiração um pelo outro, como ainda hoje nos consideramos e respeitamos mutuamente. Bem, o tempo ia passando e passada meia hora pouco mais ou menos, aparece mais um dos elementos do grupo. Como é costume perguntar: disse... já deu alguma coisa? o amigo João Paulo, entusiasmado, e, porque tinha sido eu a pescar a enguia não esteve com meias medidas: abre os braços e muito categoricamente responde: o sr. Cardoso, tirou uma enguia alto lá!.. cuidado com ela. Aumenta-lhe uns bons centímetros. Eu, disse cá para os meus botões; não está mal. No entretanto passados mais alguns minutos chegou outro amigo. A mesma pergunta e o João Paulo volta a responder: é pá... o sr Cardoso tirou uma enguia!.. nem queira saber, che... abre de novo os braços e aumenta mais um bom tamanho.

Gerou-se a expectativa. Bolas, deve ser cá uma enguia!.. se calhar é algum congro? Surge ainda outro amigo e lá está... mais um ponto para aumentar o conto. Virei-me para o meu amigo João Paulo e nestes termos disse-lhe assim: oh!.. caramba!.. daqui a pouco a enguia é do tamanho do cais. Rimo-nos todos em grande, passando o resto do serão bem à pescador.

Foi muito divertido e sendo assim, ficou para a história dos pescadores. Mais uma simples e sadia brincadeira, que não prejudica ninguém, dando origem a ser contada às nossas famílias e amigos, presentes e futuros.

 

         ArtCar

 

 

publicado por Artur Cardoso às 18:12
link do post | comentar | favorito
3 comentários:
De João Paulo Ribeiro a 18 de Novembro de 2010 às 03:45
Caro Amigo
Nem imagina o quanto ainda agora me ri de relembrar esta história VERÍDICA !!!
Pois é verdade, sou o homem dos braços abertos...
Acabei de me lembrar também daquela noite de verão que resolvemos prolongar um pouco mais a pescaria, porque a noite assim convidava.
Como era 6ª feira e a minha namorada na altura, (hoje minha mulher) estudava em Braga e nesse fim de semana não podia vir ao Porto, resolvemos ficar até perto das 2:00/2:30 (pensávamos nós)...
E pensávamos nós porquê?
Porque nessa noite a pescaria foi tão boa, que até à hora que tínhamos programado ficar nem um toque nas linhas...
Dessa forma, resolvemos, melhor decidimos que só saíamos da "nossa sala de estar" quando um de nós tira-se um peixe!
Resultado, para além do facto de termos adormecido os dois sentados nas cadeiras, o sol raiou e as canas sem sinal de toque...
Mas o melhor mesmo é o meu Amigo fazer mais um post com esta história que tem mais alguns pormenores pelo meio se bem se lembra;)
Um Grande Abraço e continuação de um excelente trabalho;))

João Paulo (O Cristo Rei)
De Artur Cardoso a 18 de Novembro de 2010 às 07:32
Oh!.. se me lembro...
Fez muito bem em me fazer lembrar essa tão espetacular história.
Tenho alguns trabalhos entre mãos. Como deve calcular, outras tarefas avassalam-me o curto tempo que tenho para estas fantásticas histórias.
Logo que me seja oportuno, irei debruçar-me sobre esta.
Um grande abraço,

ArtCar
De Artur Cardoso a 24 de Novembro de 2010 às 05:22
Caro amigo João Paulo!..
"EU VOU SUBIR".
Esta linda missiva tão bem postada, fruto do seu último trabalho, em minha opinião, acho-a de um deslumbre fabuloso. É como que um hino à liberdade.
Estou embebecido com tão hamoniosas palavras. Continue a soltar os seus tão profundos pensamentos, que tão bem o sabe fazer.
Os meus sinceros parabens pelo seu blog.
Um abraço,
ArtCar

Comentar post

.mais sobre mim

.pesquisar

 

.Agosto 2019

Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab
1
2
3
4
5
6
7
8
9
10
11
12
13
14
15
16
17
18
19
20
21
22
23
24
26
27
28
29
30
31

.posts recentes

. Nesta Noite de Luar!

. Um corre-corre!

. Como os poetas que cantam...

. Misterioso Tocante!

. Recordando... Inocentes s...

. Do meu jardim!

. Gosto do teu sorriso!

. Algo me dizia!

. Cada vez que olho a lua!

. A Poesia e a Alma do Poet...

.arquivos

. Agosto 2019

. Março 2019

. Novembro 2018

. Outubro 2018

. Agosto 2018

. Dezembro 2017

. Novembro 2017

. Outubro 2017

. Setembro 2017

. Agosto 2017

. Julho 2017

. Junho 2017

. Maio 2017

. Abril 2017

. Fevereiro 2017

. Dezembro 2016

. Novembro 2016

. Outubro 2016

. Setembro 2016

. Agosto 2016

. Julho 2016

. Junho 2016

. Maio 2016

. Abril 2016

. Março 2016

. Fevereiro 2016

. Janeiro 2016

. Dezembro 2015

. Novembro 2015

. Outubro 2015

. Setembro 2015

. Agosto 2015

. Julho 2015

. Junho 2015

. Maio 2015

. Abril 2015

. Março 2015

. Fevereiro 2015

. Janeiro 2015

. Dezembro 2014

. Novembro 2014

. Outubro 2014

. Setembro 2014

. Agosto 2014

. Julho 2014

. Junho 2014

. Maio 2014

. Abril 2014

. Março 2014

. Fevereiro 2014

. Janeiro 2014

. Dezembro 2013

. Novembro 2013

. Outubro 2013

. Setembro 2013

. Agosto 2013

. Julho 2013

. Junho 2013

. Maio 2013

. Abril 2013

. Março 2013

. Fevereiro 2013

. Janeiro 2013

. Dezembro 2012

. Novembro 2012

. Outubro 2012

. Setembro 2012

. Agosto 2012

. Julho 2012

. Junho 2012

. Maio 2012

. Abril 2012

. Março 2012

. Fevereiro 2012

. Janeiro 2012

. Dezembro 2011

. Novembro 2011

. Outubro 2011

. Setembro 2011

. Agosto 2011

. Julho 2011

. Junho 2011

. Maio 2011

. Abril 2011

. Março 2011

. Fevereiro 2011

. Janeiro 2011

. Dezembro 2010

. Novembro 2010

. Outubro 2010

. Setembro 2010

blogs SAPO

.subscrever feeds

Em destaque no SAPO Blogs
pub